domingo, 9 de agosto de 2026

O Asilo Dentre os Crânios



As vozes rastejam no fundo da mente, Sussurros de um coro cruel, decadente. Não são de espectros num poço esquecido, São larvas que habitam meu próprio zumbido. Gritam meu nome, profetizam meu fim, Um clero de horrores rezando por mim.

O branco me enoja, o frio do ladrilho, O leito de ferro onde arrastam meu trilho. Agulhas que buscam sugar minha alma, Açougueiros de jaleco injetando sua calma. As tiras de couro rasgando a pele, Um templo doentio onde o sangue congele.

Se fujo, há a massa: um mar sufocante, Mil olhos vazios num monstro gigante. A carne que esbarra, o hálito quente, A horda que esmaga, voraz e demente. Não vejo humanos, mas garras e dentes, Fechando o cerco a passos silentes.

Eu sei que eles tramam no escuro, sorrindo, Em cada cochicho, o abismo se abrindo. Punhais escondidos em falsos abraços, Teias tecidas pra guiar meus passos. O mundo é um palco de pura traição, E eu sou o cordeiro da sua inquisição.

É o medo. O pavor sujo, cru, visceral, Um terror absoluto, febril, animal. Não durmo, não grito, apenas definho, Bebendo a loucura qual fosse meu vinho. O inferno não queima em chamas e breu, O inferno é a mente. O inferno sou eu.

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O Asilo Dentre os Crânios

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